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mai 10, 2008

Manneken-pis

Le Manneken Pis, de son nom bruxellois Menneke Pis, aussi connu sous le nom de Petit Julien, est une statue en bronze d'une cinquantaine de centimètres située au cœur de Bruxelles. Cette statue est le symbole de l'indépendance d'esprit des Bruxellois. Il s'agit d'une fontaine qui représente un petit garçon en train d'uriner. Les mots menneke pis flamand et français) « le môme qui pisse » signifient en bruxellois (dialecte local mélangeant

La statuette aurait été commandée en 1619 à Jérôme Duquesnoy. Celle-ci fut protégée par les Bruxellois lors du siège de la ville par les Français en 1695. La statue actuelle serait une réplique, l'original ayant disparu dans les années 1960.

Deux légendes circulent à son propos. Une d'entre elles raconte qu'un enfant aurait éteint, à sa manière, la mèche d'une bombe avec laquelle les ennemis voulaient mettre le feu à la cité ; une autre raconte qu'un enfant perdu aurait été retrouvé par son père, riche bourgeois de Bruxelles, dans la position que l'on imagine.

Il est de tradition d'offrir au Manneken Pis des vêtements à des occasions spéciales notamment pour honorer une profession. La garde-robe actuelle comprend des centaines de costumes qui sont pour la plupart conservés à la Maison du Roi, un musée de la ville de Bruxelles, situé sur la Grand-Place.

Autrefois, le jet d'eau était à l'occasion de fêtes remplacé par des breuvages moins transparents (hydromel, vin). Ainsi, on rapporte qu'en 1890, au cours de grandes fêtes bruxelloises qui se déroulèrent durant deux jours, le petit bonhomme distribua du vin et du lambic (bière bruxelloise). Actuellement, certaines sociétés folkloriques bruxelloises, ont gardé pour tradition lors de célébrations annuelles (Saint-Verhaegen,...) d'offrir à boire en faisant couler de la bière par le Manneken pis .

Le Manneken Pis est devenu avec la Grand-Place et l'Atomium, un des symboles de Bruxelles.

Une version féminine du Manneken Pis se trouve également à Bruxelles, la Jeanneke Pis.

Fonte: Wikipedia
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septembre 25, 2007

'Tintim' é novamente acusado de racismo

PARIS (AFP) - O Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos (MRAP), uma das mais importantes organizações francesas contra o racismo, se pronunciou nesta segunda-feira a respeito da polêmica em torno de "Tintim", um dos personagens mais famosos no mundo dos quadrinhos e que tem sido constantemente acusado pelo conteúdo racista em suas histórias.
A MRAP solicitou à Editora Casterman, que publica os diferentes álbuns de "Tintim", que inclua na nova reedição do livro "Tintim no Congo" um chamado de alerta contra os "preconceitos raciais".
A posição da MRAP, que reiterou seu "compromisso com a liberdade de expressão", foi mais contida em comparação a outras sobre o mesmo tema, que reclamaram claramente e até pediram que o álbum fosse posto fora de circulação.
Esse novo episódio do controverso "Tintim no Congo" começou em julho, quando a Comissão britânica para a Igualdade das Raças (British Commission on Racial Equality) acusou o livro de racista e pediu que ele fosse retirado de circulação.
Por essas denúncias, a Borders, uma das grandes livrarias britânicas, decidiu retirar o livro da seção "literatura para crianças" e colocá-lo em "Tiras cômicas para adultos".
Poucos dias depois, um estudante do Congo da Universidade livre de Bruxelas apresentou, na justiça da Bélgica, uma queixa para denunciar o caráter racista da publicação e para solicitar que ela fosse retirada de venda.
No início de setembro, o Conselho Representante das Associações Negras (CRAN), na França, considerou a tira ofensiva e solicitou à Casterman que a retirasse das livrarias.
"Nesta tira cômica, os estereótipos sobre os negros são particularmente numerosos", afirmou Patrick Lozès, presidente do CRAN, organismo criado em 2005 e que afirma reunir cerca de 120 associados.
"Os negros são mostrados como imbecis e até mesmo os cachorros e os animais falam francês melhor", disse Lozès, recordando que o próprio autor da tira, Georges Remi (Hergé), havia reconhecido que teria escrito a tira "sobre forte influência da época colonial".
"Tintim no Congo" foi publicado pela primeira vez em 1930, pela revista belga Le Petit Vingtième e logo depois pelas Edições Casterman, que obteve os direitos de publicação exclusiva dos diferentes livros que narram as aventuras do jovem repórter.
Este álbum foi lançado após "Tintim no país dos soviets", em que Hergé utilizou como fonte de documentação um panfleto marcadamente anti-soviético, escrito por um ex-cônsul belga.
"Timtim no país dos soviets" não foi republicado pela Casterman e os exemplares publicados em 1920 se tornaram em objeto de colecionadores e de numerosas falsificações, antes de uma edição em série em 1981.
Hergé afirmou mais tarde que no momento que criou os dois álbuns vivia em um meio que prejudicava sua visão sobre a antiga União Soviética.
"Era em 1930 e eu não sabia nada sobre esse país, além do que as pessoas relatavam nessa época", afirmou.
Hergé defendeu sua obra alegando que os personagens eram fictícios e que se eles faziam os brancos sorris, também podia fazer os congoleses gargalhar porque lhes dava motivo para debochar da estupidez dos brancos que os viam como eram representados pela tira cômica.

source: yahoo

août 15, 2007

Sugestão de leitura - Amélie Nothomb


Biografia da Fome[1]


Amélie Nothomb é uma escritora belga que nasceu em 13 de agosto de 1967 em Kobe, no Japão onde o pai trabalhava como diplomata. Seus livros são traduzidos em 35 países, ela publica em média um livro por ano, vende sempre em torno de 700.000 exemplares de cada.
Biografia da fome é, certamente, um título estranho, mas o personagem do livro não é realmente a fome e sim a própria Amélie Nothomb, ela e sua fome de tudo, doces, vida, amor. As primeiras páginas não me interessaram muito e a sua tentativa de explicar a escolha do assunto partindo de Vanuatu, um lugar que vive na abundância - o problema ali não é a fome, mas o contrário - parece uma introdução meio forçada. A partir da página dezesseis já começa pelo menos a ficar engraçado. O humor, a ironia, sobretudo ao tratar da infância, são os pontos fortes de A. Nothomb. É, então, ao falar da China e fome, que começa o interesse dessa sua narrativa autobiográfica, ‘a campeã da barriga vazia é a China’, diz a autora, e é por isso mesmo, pela necessidade de transformar tudo em comida que os chineses atingiram a excelência, o refinamento na arte culinária e não pararam aí, a fome os levou a descobrir tudo, a pensar em tudo, a tudo ousar “Estudar a China, é estudar a inteligência.” Escreve Nothomb.
Amélie narra neste Biografia da Fome a sua infância no Japão onde ela começou a estudar no Yôchien (Jardim de infância), ali ela era a única criança não-nipônica, certo dia foi desnudada pelas outras crianças que queriam se certificar se ela era ‘toda branca’. Ela conta ainda que seus pais foram educados na fé católica, esta fé eles perderam para sempre ao chegarem ao Japão e serem confrontados a outras religiões, ao perceberem que outros povos viviam de forma ‘sublime’ sem nunca terem ouvido falar no cristianismo. Era como se tivessem lhes pregado uma peça durante a vida toda ao lhes incutirem o dogma de ‘uma só religião boa e verdadeira.’Em 1972 a família se muda para a China, o primeiro choque para a pequena Amélie que tinha nascido ali no Japão e que julgava que aquele fosse o seu país. A China era para ela o estrangeiro, em tudo o contrário do seu Japão, vivia fechada num gueto reservado aos estrangeiros, proibidos de dirigirem a palavra aos chineses pois isso equivaleria a enviá-los a uma prisão. Em Pékin Amélie vai descobrir outras nacionalidades além dos japoneses, belgas e os raros americanos que via no Japão. É sempre com muita ironia que a autora trata disso e de outras descobertas, prioriza sempre o ponto de vista da criança que era. Volta e meia relembra o Japão de forma nostálgica, quanto mais vive a China, mais sente falta do Japão.Três anos depois, em 1975, o pai é transferido para Nova Yorque. Amélie tem oito anos, ela e a irmã, Juliette, um pouco mais velha que ela, ficam cada vez mais unidas e tentam tirar o máximo desta experiência, da liberdade que lhes era oferecida ali. Os pais também saem muito, vão ao teatro, cafés. Um dos maiores problemas de Amélie nesta época era equacionar o número de meninas apaixonadas por ela no Lycée Français onde estudava, ela estava apaixonada só por duas e havia dez se arrastando atrás dela, algumas a irritavam, outras ela tratava com uma condescendência de rainha. O seu sucesso se devia ao fato de ser ela a melhor aluna da classe. O outro problema era tentar ser amada ao extremo pela mãe e por Inge, a linda baby sitter belga que ela tentava seduzir com poemas. Foram mais três anos em Nova Iorque e, em 1978 partem para Bangladesh. Pode-se imaginar o choque, sobretudo para as duas irmãs, elas preferem passar o tempo em casa lendo. Um dia o pai leva a família a Jalchatra onde uma belga tinha criado um leprosário e se ocupava dia e noite dos doentes. Dormem ali por alguns dias, no meio do nada, sem luz elétrica, vendo a belga tratar dos doentes e sem compreender aquela abnegação, mas respeitando. O pai, que estava tentando conseguir ajuda do governo belga para o leprosário decidira que a família devia participar com ele da viagem, não costumava poupar as filhas das realidades dos lugares onde viviam.Quanto mais se aproxima do final, mais interessante se torna a sua história e mais rápida também são as passagens. Anorexia na adolescência, alcoolismo (segundo ela desde a tenra infância), a ida para Bruxelas aos dezessete anos para estudar Letras na Université Libre de Bruxelles e, finalmente, a volta para o Japão depois de se formar. Esta experiência no Japão é relatada no seu livro Stupeur et Tremblements[2] que foi transformado em filme[3], um bom filme, aliás, saiu em 2003, mas acho que não foi muito além do circuito europeu.Mais de uma vez a autora faz referência a seus livros anteriores, primeiro refere-se a Métaphysique des tubes[4] (p.31) e depois Le Sabotage Amoureux[5] (p.61), quando fala da mudança para a China. Conheço os dois, são todos autobiográficos como este e tratam também da infância.

Mais sobre A. Nothomb na Wikipedia.
Em português aqui e aqui.
[1] Biographie de la faim. Amélie Nothomb. Le livre de poche – Albin Michel, 2004
[2] Temor e Tremor. Bizâncio 2000 e ASA 2004. Medo e Submissão, editora Record, 2001.
[3] Filme de Alain Corneau, França, 2003, com Sylvie Testud, Kaori Tsuji, Taro Suwa, Bison Katayama, Yasunari Kondo
[4] A Metafísica dos Tubos, Bizâncio, 2001 e Editora Record, 2003.
[5] Literalmente, A Sabotagem amorosa, não sei se foi traduzido para o português.

Leila S. Terlinchamp
obs: Temos este e outros livros de A. Nothomb disponíveis em nossa biblioteca.

mai 04, 2007

R. Magritte




René François Ghislain Magritte nasceu em em Lessines, Bélgica, em 21 de novembro de 1898 e morreu em 1967. Sua mãe suicidou-se em 1912 e, ao que parece, parte do trabalho de Magritte é marcado pela imagem do corpo da mãe sendo resgatado do rio Sambre, onde se afogara.

Ele estudou em Bruxelas na Académie Royale des Beaux-Arts. Mais tarde mudou-se para Paris onde tornou-se amigo de André Breton e aproximou-se do grupo surrealista.

A coleção mais importante de Magritte se encontra no Musées Royaux de Beaux-Arts de Belgique. Existe também, em Bruxelas, um Musée Magritte que é a casa onde viveu o pintor e sua mulher, Georgette por mais de 24 anos.

R. Magritte
Musées Royaux des beaux Arts de Belgique
Rue du Musée
91000 Bruxelles
Si vous voulez savoir plus sur Magritte visitez ce site.

Magritte


avril 15, 2007

GASTON LAGAFFE



Gaston Lagaffe, Personnage de bande dessinée belge,Créé en 1957.


En créant le personnage de Gaston Lagaffe, le dessinateur André Franquin réalisa une idée originale : mettre plaisamment en scène l'univers même de la rédaction du Journal de Spirou. Gaston y figure un employé de bureau comme on n'en rêve pas : gaffeur invétéré (ses nombreuses inventions, plus farfelues les unes que les autres, se soldent systématiquement par des catastrophes épouvantables), dormeur impénitent (il va jusqu'à installer un coussin sur son bureau, pour mieux faire son indispensable sieste), il ne sait produire que!… du courrier en retard qu'il accumule au-delà de toute proportion. Il est avant la lettre, le symbole de la «!bof génération!».

décembre 11, 2006

Chocolate recheado é obra-prima belga

JOÃO BATISTA NATALI
Enviado especial da Folha de S.Paulo à Bélgica
O chocolate era desconhecido dos europeus até o descobrimento da América. É um produto asteca. Foi trazido do México para o velho continente pelos espanhóis.

Mas só bem depois dos descobrimentos é que os belgas esboçaram o trajeto que os levaria a ser um dos grandes países "chocolatiers" da Europa. Um brevê de 1667 permite que um belga de Bruxelas produza chocolate.Em 1846 a atual capital belga possuía cinco moinhos de cacau. Duas décadas depois, dois fabricantes já faziam chocolate com máquinas a vapor.Em 1912 os belgas criaram um ovo de Colombo gastronômico e se especializaram na produção das pralinas, de início amêndoas confeitadas que se tornaram um chocolatinho tenro e recheado. A colonização do Congo criou uma fonte de fornecimento estável de matéria-prima.Talvez não seja leviano dizer que nunca nasceu um cacaueiro em toda a Bélgica. O país se esmera no processamento do chocolate, e não na produção da matéria-prima. "Eles se especializaram no refinamento e na arte da chocolateria, produzindo bombons e doces. O cacau vem da América, da Ásia ou da África", explica o chef pâtissier francês Fabrice Lenud.Cada belga consome em média 7 kg de chocolate por ano. Mas a produção é sobretudo exportada. Há marcas conhecidíssimas, como a Newhaus (1857), a Côte d'Or (1870) ou a Godiva (1920).São ao todo 150 empresas, em geral pequenas e médias, que empregam 11,5 mil pessoas e faturam anualmente 2,2 bilhões de euros. "O país é do tamanho da ilha de Marajó e é o maior produtor de chocolate do mundo. Boa parte de sua economia está baseada nisso", completa Lenud.O setor optou pela qualidade quando há cinco anos uma norma da União Européia facultou o uso de seis tipos de gordura que não fossem a de cacau. A Bélgica não queria perder para a Suíça e para a França o mercado de chocolates finos. Foi por isso que o cacau continuou a ser empregado pelas mais conhecidas empresas como fonte exclusiva de gordura. O uso apenas de manteiga de cacau, em vez de gorduras vegetais, é uma das características que garantem ao chocolate o atestado de qualidade e pureza.Há quatro museus do chocolate na Bélgica. O de mais fácil acesso se encontra em Bruxelas, num dos prédios históricos da conhecida Grand Place. O espaço reconta a história do alimento, com fotos e objetos, além de uma pequena oficina, que mostra todas as etapas da produção artesanal.

novembre 16, 2006

Antuérpia - Bélgica

[Continuação de Bélgica, um pequeno grande país.]
Antuérpia, o diamante que nunca sai de moda

Antuérpia sempre teve destaque na Bélgica. No passado, era famosa por ser um grande pólo de comércio de tecido e um importante porto nacional. No presente, ganhou notoriedade por ser a capital da moda no país e por possuir uma agitada vida noturna.Mesmo conservando seu lado medieval e possuindo uma das maiores catedrais da região, a terra natal do pintor Rubens exibe um clima mais moderno que outros municípios de Flandres. A sensação que se tem, passeando pela cidade que fica a 48 quilômetros de Bruxelas, é que todo mundo ali é descolado.Sentiu-se um peixe fora d'água e tem dinheiro sobrando na viagem? Então, invista em novos modelitos. Nos postos de informações turísticas há folhetos com roteiros da fashion walk por E$ 3. Aos mais entendidos ou menos endinheirados, o Museu da Moda cumpre bem o papel. O local tem um design diferente e, na exposição permanente, vêem-se exemplares de várias épocas de chapéus, tecidos, vestidos, sapatos. Tudo separado por cores.Mas a principal cidade flamenga ainda é famosa por mais uma valiosa razão: seus diamantes. Cerca de 80% dos diamantes polidos no mundo vêm da Bélgica (pelo menos é isso que eles dizem). Saber mais sobre as tão cobiçadas pedrinhas fica fácil. Basta ir ao Diamant Museum ou à loja DiamondLand. Nesta última, além de conhecer o processo de lapidação do diamante em um tour de cerca de 10 minutos, pode-se adquirir uma dessas jóias.
CASA DE RUBENS
Seguindo a rota imaginária da fama de Antuérpia, vá então até a Rubens House (Casa de Rubens), um dos mais renomados pintores da arte flamenga. Na verdade são duas casas de estilo renascentista, uma ao lado da outra: a do lado esquerdo era sua casa, a do direito, seu ateliê. Passeia-se por quase todos os cômodos, alguns ainda guardam móveis da época em que o artista lá viveu. Na sala de jantar, o destaque é um auto-retrato.De uma forma ou de outra você passará pela Catedral de Nossa Senhora, um monumental templo gótico de detalhes surpreendentes em sua fachada, erguida entre 1351 e 1521. Dentro, há nada menos que sete corredores, paredes cobertas por afrescos e três obras de seu filho mais famoso. Bem perto dali, numa discreta casa de esquina, fica um dos restaurantes mais pitorescos da Antuérpia: o Elfde Gebod, ou traduzindo, o 11º Mandamento. É decorado com mais de 330 imagens de santos de tamanhos e origem variados colecionados pelo dono há mais de 25 anos. Se quiser colaborar, leve um do Brasil, que deverá ser aceito de bom grado.A especialidade são pratos típicos da região, mas como você provavelmente não vai entender nada do que está escrito no cardápio e os garçons falam pouquíssima coisa em outro idioma que não seja o flamengo, aí vai uma dica: endívias gratinadas e recheadas com presunto. Decore o pedido para não perder a chance de se deliciar: witloof in de oven - um manjar dos deuses numa casa de santos. (LR)

octobre 31, 2006

Bélgica um pequeno grande país


Por Lygia Rebello
Agência Estado

Preciosidades vão desde a história à gastronomia, além da proximidade com grandes centros europeus
Bélgica - A velha história de que tamanho não é documento se encaixa perfeitamente quando se fala na charmosa e pequena Bélgica. Com um território pouco maior que o Estado de Sergipe, o reino guarda preciosidades que vão da história à gastronomia. O que poderia ser seu maior defeito - proximidade com grandes centros turísticos da Europa, que fervem de visitantes o ano inteiro - é, na verdade, seu maior aliado. Ou, pelo menos, deveria ser.O problema é que pouca gente sabe disso. É só procurar no mapa para verificar que as distâncias entre a Bélgica e cidades como Paris, Amsterdã e até Londres são tão curtas que podem ser percorridas em poucas horas de trem, carro ou avião. Então, porque não incluir no roteiro pelo Velho Continente um pulinho na Bélgica? É possível que, ao chegar, o que era para ser uma breve passada se transformará numa surpreendente viagem.E não será por falta de conhecimento sobre sua cultura ou de identificação com seu povo que você desistirá da empreitada. As pessoas têm a falsa impressão de não saber nada de lá. Mas quem não sabe que sua capital, Bruxelas, é também a sede da União Européia? E dos chocolates Godiva, quem nunca ouviu falar, ou melhor, quem nunca quis provar?Ainda na gastronomia, os bons de caneco logo lembrarão que a Bélgica é famosíssima por suas cervejas. São mais de 400 tipos fabricados lá. Menos conhecidos, mas igualmente saborosos, waffles e batatas fritas são vendidos naquelas bandas como os melhores do mundo.TINTIN E SMURFS A obra de Pieter Brueghel e o artista flamengo Peter Paul Rubens têm extrema importância para os belgas, mas foram os desenhos que fizeram mais sucesso internacionalmente. Histórias em quadrinhos do repórter Tintin e dos Smurfs, lembra? Então, está aí mais um motivo para conhecer essa encantadora terra que já foi ocupada por romanos, celtas, espanhóis, austríacos, franceses, alemães...Com razão, tantos povos quiseram conquistar esse território hoje dividido em três regiões: Valônia ao sul, Bruxelas ao centro e Flandres ao norte. Nessa última região, o passado vive nas fachadas medievais das Grand Places de suas cidades. É nessas praças que turistas e belgas apreciam as delícias locais e aproveitam minutos de boa vida. Além de Bruxelas, Bruges, Gante e Antuérpia merecem pelo menos um dia de passeio. Como muito bem explica uma amiga de lá: "Belgas? Não se ouve falar muito deles, mas gostam de boa cozinha como os franceses, de muita cerveja como os alemães e de esportes como os ingleses. E são totalmente descontraídos." E ainda tem gente se preocupando com o tamanho dos países.
Nada de resistir às guloseimas Delicados chocolates, finos biscuits, batatas fritas especiais e waffles divinos encontrados por todo canto, até mesmo em carrinhos de rua. A culinária belga pode não ter lá grande fama, mas fica impossível para o turista resistir a seus pratos, ou melhor, suas guloseimas mais tradicionais. Godiva é o nome mais imponente quando se fala nesses doces à base de cacau, mas os chocólatras de plantão devem guardar mais um nome: Wittamer, doceria cobiçada em Bruxelas. Quanto ao biscoitinho, visto e oferecido em todos os cafés, um tem gostinho especial: o fabricado na J. Dandoy. Para a sorte do visitante, ambas as lojas ficam bem pertinho da Grand Place. Próximo da praça também localiza-se o restaurante Vicent, um entre os tantos que têm como carro-chefe os tradicionais croquettes aux crevettes (croquetes de camarão) e les moules avec frites (um baldinho lotado de mariscos com molho de ervas e deliciosas batatas fritas). O segredo de elas serem tão boas? São postas numa panela com óleo quente, quando começam a ficar douradas são retiradas e colocadas em um outro recipiente com óleo fervendo. O resultado é uma casquinha supercrocante e o meio bem macio.Se quiser uma refeição leve, mais rápida e igualmente saborosa, procure um dos restaurantes da rede Le Pain Cotidien e experimente o la tartine, espécie de sanduíche aberto com recheios variados. A cerveja é um caso à parte na hora da degustação das delícias da Bélgica. São mais de 400 tipos fabricados no país, cada qual com uma coloração, sabor e história diferente. E para experimentá-las é preciso fazer como os belgas: apreciá-las com admiração (e nem sempre com muita moderação).Aprenda, então, alguns truques e dicas para não fazer feio. Primeiro vale lembrar que o teor alcoólico delas é bem mais alto que o das brasileiras (no caso, entre os 3% e 5%). As mais fracas da Bélgica têm no mínimo 4% e as mais fortes podem chegar a mais de 8,5%. Há as mais claras (blanches ou blondes) e suaves, as escuras, as chamadas gueuze (misturam cervejas novas com envelhecidas), as com sabor de fruta como cereja e pêssego.Ainda há as famosas trappistes, produzidas por monges, à moda antiga, nos últimos cinco monastérios ainda em atividade. Normalmente não vêm muito geladas para não alterar o sabor. No ranking das mais vendidas, aparecem nomes como Stella Artois, Leffe, Duvel, Jupiler e as trappistes Chimay, Westmalle e Rochefort.

Antuérpia pode levar a fama da capital da moda, mas Bruxelas não fica atrás quando o assunto é roupa com design moderno. Lá, um antigo bairro que foi revitalizado exibe hoje vitrines dos mais conceituados estilistas belgas. Na Rua Antoine Dansaert, lojas de novos nomes da moda como Jean Paul Knot e Nicolas Woit.Também há espaço para os mais conhecidos como Martin Margiela, que trabalha para Hèrmes e reforma o que não vende de jeitos bem ousados. Nem se surpreenda de ver uma saia com uma manga saindo pelos lados, por exemplo.O passeio é bem diferente e tem para todos os gostos, mas os preços são para lá de salgados. Vá mais para o finzinho da tarde. Assim, pode curtir uma cerveja e um bom jazz no L'Archiduc Café, que fica nas redondezas.Quem não se importa com os preços, mas prefere a moda mais tradicional, tem destino certo à sua espera: o Boulevard Waterloo, uma das mais elegantes avenidas da cidade. Chanel, Dior, Louis Vuitton, Rolex, Bvlgari, Giorgio Armani...

CONSUMISMOS
Se novamente bater a vontade de comprar, vá à Place du Grand Sablon. Lá, as compras serão de alto nível: antiguidades. Há uma requintada feira nos fins de semana e inúmeros antiquários à sua volta, com prata e tapeçaria.Deixe o consumismo de lado e volte sua atenção para o aspecto cultural da capital belga. Não há como deixar de visitar o Musée Royaux des Beaux-Arts, onde fica o Musée d'Art Ancien (com peças dos séculos 15 a 18) e o Musée d'Art Moderne (a partir do século 19). O primeiro guarda um dos maiores acervos de arte flamenga do mundo. Numa sala separada, quadros de Peter Brueghel e as cópias de Peter Brueghel filho, que ganhou a vida fazendo réplicas das pinturas do pai.Nesta época do ano, o céu estará azul e a temperatura, agradabilíssima. Não perca a chance de passear ao ar livre. Uma dica? O Royal Parc, entre o Palácio Real e a Casa do Parlamento. Suas tranqüilas alamedas são ótimas para curtir o calmo vaivém de seus sossegados habitantes.
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Grand Place, o melhor de Bruxelas em um só lugar

Continuação post anterior

Grand Place

Praça belga é considerada uma das mais belas da Europa

Oficialmente Bruxelas está dividida em duas partes: cidade baixa e cidade alta. Mas bem sabem os turistas que a capital da Bélgica e sede da União Européia deveria estar repartida entre a Grand Place e o resto. Logicamente que o charmoso município tem interessantes museus e outros atrativos espalhados por seu território, mas no enorme retângulo formado pelos prédios das antigas guildas, corporações de ofícios da Idade Média, há tanto para ser visto e experimentado que é simplesmente impossível se cansar de passar por lá.A cada novo passeio pela Grand Place, considerada uma das praças mais bonitas na Europa, descobrem-se novos detalhes e a cada nova descoberta, um suspiro de admiração, uma exclamação e mais uma foto. Nem tente fugir dessa rotina, é tentador demais. Gótico, barroco, neoclássico.Tudo se mistura harmoniosamente nessa praça construída na era medieval que, mesmo após ser bombardeada pelas tropas de Luís 14, continua mantendo sua imponência e o elevado número de visitantes. Agora, porém, não são mais os mercadores que chegam por lá para trocar tecidos e alimentos, mas visitantes do mundo todo, sempre passeando, olhando para todos os lados na esperança de não perder nenhum detalhe.A empatia entre os turistas e a Grand Place aumenta à medida em que se deparam com seus concorridos cafés e restaurantes, seus discretos museus e suas lojas, que vendem de tudo. Dos famosos chocolates e biscoitinhos a objetos com os personagens das histórias de Tintin.Comece por visitar o primeiro prédio que irá lhe chamar a atenção pela suntuosidade: o Hôtel de Ville (a prefeitura). No interior, enormes tapeçarias que mais parecem pinturas, trabalhos de marchetaria no chão e enfeites dourados revelam uma elegância conquistada há muito pelo povo belga. No teto do salão de casamento, marcas do passado nos brasões das famílias importantes e das corporações de ofício. Não deixe de ir até o balcão, onde, em ocasiões especiais, a família real costuma aparecer. De lá, tem-se um dos melhores ângulos para uma foto da praça.Na frente do Hotêl de Ville, do outro lado da praça, fica o Musée de la Ville, importante parada para os amantes de história. Podem-se ver maquetes da Bruxelas dos séculos 13 e 17 e simpáticas marionetes, além de todos os trajes do símbolo da cidade: o Manneken Pis. Mas, antes de se deparar com o cartão-postal, repare numa escultura feita em homenagem a um herói de guerra do começo do século que fica na mesma rua, na esquina oposta. As mãos do guerreiro já estão até desgastadas, pois dizem que aquele que tocar no discreto monumento terá boa sorte por muitos anos. Para abrir o apetite e saciar a curiosidade antes de sentar em um dos cafés e se esbanjar até cansar, dê uma bisbilhotada em dois pequenos museus: o do chocolate e o da cerveja, paixões nacionais. Ambos ficam na praça em antigas guildas. Só para aprender um pouco mais sobre sua fabricação e de como se tornaram autênticos símbolos belgas. Daí é partir para uma demorada degustação.

octobre 10, 2006

Bruxelles


Marché aux puces (Mercado das pulgas)
Tirei esta foto em 1998 na Place de Jeux de Balles.
Mais fotos minhas aqui.
Leila